domingo, 5 de dezembro de 2010

VIVÊNCIA DE ESTÁGIO III

Empolgada com a atividade “estranhamento do familiar” da disciplina de Estágio Supervisionado III, chegando em casa após o encontro presencial, peguei a agenda telefônica e marquei o percurso a ser feito. No dia seguinte iniciei minha caminhada logo cedo registrando a festa da padroeira da cidade com fotos, gravações e entrevistas.  Foi um dia muito proveitoso. Tantas portas de entrada que fiquei preocupada a qual escolher. Mas fiquei na expectativa até o final da caminhada marcada no mapa.
Continuando o percurso cheguei ao Ginásio de esportes e pude ver a riqueza dos Jogos Abertos. Fiquei encantada com o futebol de sabão, onde pela primeira vez aqui em nossa cidade. Entrevistei os organizadores do evento organizado pela Prefeitura Municipal e parceria com AGEPEL.
Tudo isso é sinal que a cidade trabalha em prol de uma Educação de qualidade, nós que muitas das vezes não observamos e passamos despercebido em nossos olhos.
A cidade está cada vez mais bonita e preparada para ser uma cidade desenvolvida, preocupada com o bem estar de todos os cidadãos que aqui residem independente de ser quirinopolitanos ou não.
Quirinópolis está de cara nova com tantas ofertas de emprego apesar de muitas pessoas não se preocupar com a qualificação de mão de obra, ficando assim às margens do desemprego. Isso deve a formação cultural e econômica do município. Com uma economia baseada na agropecuária as pessoas não se preocupavam em qualificar em outros setores de trabalho. Atualmente com o grande crescimento industrial a cidade se destaca com a oferta de empregos recebendo pessoas de várias regiões do país.
Antes se via as ruas, bares, botequins, praças cheias de pessoas desocupadas, jogando, bebendo, depredando, dependentes químicos por toda parte. Era uma tristeza.
Hoje em minhas andanças e com olhar mais apurado estou vendo que tudo mudou, as pessoas estão mais ocupadas. São poucos que ficam de boa nas praças, assim como os idosos aposentados.
Visitando uma praça que ficava repleta de usuários de drogas, tinha somente dois jovens sentados ali à tarde e quando perceberam minha presença parece que ficaram envergonhados e foram embora. Antes era agente que tinha que desocupar o espaço. A noite quase não dava para dormir de tanto racha, sons excessivos, pessoas gritando a noite toda, hoje é uma paz...
Concordo com Dewey e Shusterman quando afirmam que "cada teoria da arte é uma resposta intelectual a determinadas condições socioculturais e às perplexidades diárias, nos convidando a soltar as amarras conceituais e ir à busca da teoria da arte que corresponda ao nosso tempo," bem como o uso da dialética como forma de construção do conhecimento e a idéia de arte como experiência e relato aberto.
A idéia de usar o pragmatismo filosófico para trabalhar o mundo da arte, repensando e renovando-a, é de suma importância, pois quantos de nós deixamos à dialética (arte de raciocinar; lógica; arte de argumentar ou discutir; modo de filosofar que busca a verdade por meio de oposição e reconciliação de contradições lógicas ou históricas) para trás e permanecendo na ditadura de métodos com objetivos inadequados, andando feito burro empacadores com tapas nos olhos, sem enxergar para os lados.
 Não podemos ter medo do estranho. Veja o que aconteceu comigo. Fiz primeiro meu roteiro preocupada com o espaço que imaginava ser minha porta de entrada, a casa de uma escultora bem distante de minha residência. Como gostaria também de analisar o caminho percorrido por quase todos os dias, lancei mão do mapa e delimitei um percurso enorme com objetivo maior de chegar à porta desejada, imaginando que talvez não encontrasse algo relevante no percurso tão percorrido há anos.
Quanta surpresa! Estava totalmente cega e alienada pelo sistema da tradição moderna, com uma "concepção museística da arte" ou a "idéia esotérica de Belas Artes", como diz Dewey. Naquele momento ficava imaginando as belas esculturas de Marly. Mas logo ao início da caminhada fui logo percebendo que estava redondamente enganada. Quantas portas de entrada! Pessoas comuns trabalhando como garis varrendo as ruas, praça; vendedores ambulantes, camelôs, barzinhos. Comecei experimentando. De início imaginei que não daria em nada. Com receio só fazia algumas fotos e gravações.  Mas com coragem fui logo entrevistando um vendedor de abacaxi na praça da prefeitura. Achei o máximo! Ele foi tão  espontâneo e foi logo compartilhando seus conhecimentos. Saí dali sorrindo sozinha, feliz e imaginando, se seria preciso ir tão longe para encontrar minha porta? Poderia ser ali mesmo ou mais adiante. Percebendo assim que aquilo tudo que estava experimentando era arte tão importante quanto às esculturas de Marly.
Continuei a caminhada. E cada passo, uma surpresa que não cabe contar aqui agora. E ainda ansiosa para chegar à reta final, a tão esperada porta de entrada, no lugar de recepção, uma bruta decepção! A artista se encontrava ausente. Fui pra casa descontente. Todo o dia ligava, mas não atendia.  Mas não desisti. Continuei insistindo.
O acontecimento levou-me a pensar com mais interesse nas questões sobre o ensino da arte, onde é preciso urgentemente de reformular o discurso e atuação como relata os autores estudados e principalmente Dewey com sua proposta de conceber a arte como experiência.
Esse trabalho ajudou-me a abrir os olhos, tirar "o tapa", possibilitando-me a enxergar em todas as direções, concluindo que "a essência e o valor da arte não está na obra em si..." e que é preciso conceber a arte como relatos abertos, neutralizando seu caráter elitista, experimentando seu contexto histórico/cultural e compreendê-la como experiência de vida, independente se são belas artes ou não.
  Nós, cidadãos e futuros educadores temos como tarefa, romper com a "concepção fragmentada das belas artes", ampliando o campo de estudo em todos os tipos de experiência, transformando a arte em outras formas de produção estética com um novo olhar, estudando em conjunto todo potencial didático.
O Centro Comunitário é uma grande porta. Temos ali vários projetos maravilhosos tais como: bordados de toda espécie, macramê, crochê, corte de costura, eletricista, informática sem contar que me deparei com uma turma fazendo um curso de serigrafia com carga horária de 100h. O curso de costura e de serigrafia é profissionalizante. Tudo de graça mantido pela Assistência social da prefeitura. Outra porta com vários cursos assistenciais é a ABCAD.
Após a análise das possíveis portas de entrada, reafirmei minha escolha, Marly Gonçalves Rios. Escultora autodidata, que gosta de pesquisar, principalmente a base cientifica para construir suas esculturas fazendo uso da linha, proporção, movimento, ação, anatomia, fisionomia, expressão e mensagem. Faz experiências transformando o lixo em obra de arte, destacando a figura humana com mensagem filosófica e intelectual crítica, talvez um dos motivos que leva a comunidade não compreender a artista, desvalorizando seu trabalho. Diversas ideologias religiosas repudiam a maneira de trabalho de Marly que adora Arte Sacra.
É bastante criativa causando estranhamento por parte da maioria das pessoas, chegando até mesmo a discriminações dizendo que ela é esquisita e louca.
Sua casa é bastante intrigante desde a entrada à garagem dos fundos onde a artista trabalha pinturas em alto relevo bem colorida nos muros, nas paredes, no teto, nos móveis; figuras de esculturas estilizadas por toda parte da casa de maneira bem simplória. E cada coisa, cada objeto, cada pintura tem uma história para contar. Exemplo uma escultura de elefante que fica na varanda e que se podem ouvir as ondas do mar, colocando o ouvido em sua tromba.  A escultura do Presidente Tancredo Neves com o título “Sonho dos brasileiros”, demonstrando uma expressão facial, um sorriso perturbador e com uma mensagem de utopia.
A experiência de trilhar entre as culturas da cidade e o estudo sobre as cidades educadoras muito contribuiu para meu aprendizado, bem como a importância do trabalho interdisciplinar.
É muito interessante. Coincidência ou não, veja o quanto é instigador.
Ao trabalhar a questão da criatividade na arte contemporânea da unidade 2, pesquisando os artistas contemporâneos, escolhi Rauschemberg por achar interessante sua maneira de trabalhar com imagens fotográficas, materiais descartáveis e até animais empalhados. Sua criatividade é excepcional e além de tudo ele tinha um fator relevante, “o poder da palavra”. Já imaginou, enviar um bilhete ou uma carta a alguém e dizer que é o retrato encomendado? E mais, o que ele dizia, estava dito.
Na hora de desenvolver meu processo criativo exigência da disciplina de Psicologia da Arte, logo veio em mente mostrar o quanto estudar arte como relato aberto é gratificante, mostrar e preservar ao longo da história um pouco de minha cidade através de registros fotográficos da caminhada “Tornar o familiar estranho” atividade de Estágio Supervisionado III. Lancei mão de fotografias feitas por mim, outras do site da cidade, recortes de jornais, revistas com imagens de lugares e pessoas que dão sua pequena parcela de contribuição para o desenvolvimento de nossa cidade.
Também na disciplina de Estágio na atividade de etnografia entrando pela porta, escolhi uma pessoa, Marly Rios. Escultora que trabalha também com reciclagem num processo tão criativo causando estranhamento por parte da maioria das pessoas chegando até mesmo a discriminações absurdas.
Na primeira entrevista, Marly mostrando suas obras e a estória de cada coisa e desabafando compartilhando as pedras do seu caminho, disse com voz embargada: “Dizem que sou uma mulher desequilibrada, esquisita e louca”. Engoliu seco e complementou: “Mas não me importo. Continuo fazendo o que gosto, o que penso, criando, recriando , transformando o lixo em obras de arte ou coisas utilitárias com mensagens construtivas ao público. Para mim o mundo não têm sentido sem a Arte, pois a reconstrução social de um povo depende da cultura de todos”.
Agora fazendo a etnografia tendo oportunidades de conhecê-la melhor, vejo que nós seres humanos, somos tão imperfeitos a ponto de cometer injustiças por falta de conhecimento, de ver o outro como ele é, e respeitar sua maneira de ser. Chegar de mansinho para aprender com o outro, inserir o outro em nós e nós no outro, para que haja uma correlação de entendimento e conseqüentemente um maior aprendizado.
No primeiro momento quando tentava entrar em contato com ela, achei impossível a ponto de desistir. Mas analisando as dificuldades e os comentários das pessoas quanto ao gênio difícil da artista, achei por bem fazer minha etnografia e minha Ação Pedagógica envolvendo essa pessoa com o intuito de reverter a tantos enganos, mostrar às pessoas que escultura não é tão somente arte sacra, “imagens de santo”, como entendem a grande maioria. Incentivar nossa comunidade a valorizar a arte escultórica e também divulgar o trabalho dessa incansável escultora.
Fazendo uma ponte entre o artista escolhido Rauschemberg com minha porta de entrada, percebo quanta relação em comum. Os dois gostam de trabalhar com lixo usando de criatividade e acreditam no poder da palavra, apesar de Marly ainda não ter esse poder, ela continua lutando para tal.
A cada encontro do processo etnográfico conheço mais um pouco dessa pessoa.
Para mim a experiência de trilhar entre as culturas da cidade foi talvez a atividade mais gratificante e gostosa de toda minha vida estudantil. Jamais havia imaginado que a cidade é uma ampla, arejada, descontraída e diversificada sala de aula, onde podemos aprender com prazer e compartilhar o que temos.
 Ficava triste quando via as pessoas falando mal de minha cidade e não sabia o que fazer para ajudar a melhorar esse quadro. Agora estudando o material do nosso curso, vendo a participação dos colegas nos fóruns, pesquisando, seguindo a orientação de nossos professores, compreendo o que é uma Cidade Educadora, assunto que era totalmente desconhecido para mim e acredito pela maioria.
Alicerçando em Jurema Sampaio, elaborei uma proposta artístico-pedagógica em Artes Visuais em diálogo com as poéticas contemporâneas.
Para a construção da Proposta Pedagógica com base em minha Porta de entrada, fui à busca das informações primordiais que é a biografia da artista que irá me ajudar, com o objetivo de conhecê-la melhor. Saber um pouquinho de sua vida, sua família, o que faz, por que faz, onde, quando... e posterior dialogar, discutir e decidir o que fazer nessa proposta pedagógica, onde será executada, para quem, por que, para quê, como e ir à busca de parcerias.

Biografia
Marli Gonçalves Rios nasceu em Araguari Minas Gerais em 12 de Julho de 1968, filha de Mauro Gonçalves Rios e Elizabeth Achegaw Rios, é a mais velha da filiação de três irmãos Marli Gonçalves Rios, Milton Gonçalves Rios e Márcia Gonçalves Rios.
Começou a fazer escultura desde criança brincando na fazenda (São Francisco) onde passou sua infância modelando com argila, fazendo boneca de pano e confeccionando roupas demonstrando assim o gosto pela arte desde sua mais tenra idade.
Em 1987 casou-se com Luismar Barbosa da Cruz e teve um casal de filhos Nayara Gonçalves Barbosa e Luismar Barbosa da Cruz Jr.
Marli atua como artista nas áreas de desenho, alto relevo, pintura, escultura e estilista de alta costura e diretora de produção de espetáculos.
Seus desenhos apresentam características clássicas e contemporâneas com bastante criatividade. Adora também fazer caricaturas. Na pintura em vários estilos desde o clássico ao contemporâneo.
No alto relevo e escultura trabalha com materiais variados, concreto, gesso, pedra sabão, papelão, madeira, argila, cordas e todo e qualquer material alternativo, experimentando, criando e recriando técnicas de produção artística.
Alta costura-criação de vestidos em pedrarias, tendo uma participação no Concurso Internacional (MERCOSUL) 2ª colocação. Premiações de diretora de produção, coordenadora do Projeto Miss Quirinópolis e Rainha do Rodeio.
Marli com sua ousadia mesmo contra sua família faz um trabalho voluntário enviando candidatos em projeção ao mundo da moda (Top model feminino e masculino, Miss) participando de concursos pelo Brasil a fora.
Para isso conta com o apoio dos pais dos alunos e do atual prefeito e sua esposa e outras autoridades.
Como já havia colocado desde o início da minha caminhada em que a artista ainda não é valorizada em nossa cidade, cada dia que encontro com ela ou faço pesquisas isso fica mais que provado. Trabalho árduo feito voluntário com tanto esforço e carinho, todos sabem que isso não é fácil, treinar crianças, adolescentes, jovens para um evento desse porte e depois não ter devido reconhecimento. O único registro foi uma foto dela junto com a rainha do rodeio no site da cidade sem ao menos mencionar seu nome.
Todos os dias no Palácio da Cultura Teotônio Vilela, Marly dá aulas de etiqueta (como andar, falar, sentar, desfilar). Os ensaios acontecem das 18h ás 19h no palco e/ou no Teatro de arena quando lá dentro está ocupado com eventos.
No dia 28 de Setembro tive a oportunidade de participar de um ensaio e sessão de fotos que estavam fazendo para o jornal da cidade, mostrando alguns candidatos que irão participar do concurso de Top model a nível nacional agora no final de Outubro.
 Não entendi muito bem, mas as meninas candidatas não quiseram ser fotografadas por mim.
Após o ensaio reuniram professora, alunos e algumas mães e conversaram sobre a galinhada que estavam organizando para angariar fundos em prol da viagem a São Paulo. A Prefeitura iria ajudar um pouco, porém eles teriam que precaver levando alguns trocados.
Procurei Marly e discutimos sobre o que seria melhor para trabalharmos na Proposta Pedagógica. Como já havíamos conversado bastante sobre a cultura da cidade e o que mais é de prioritário, verificamos que a escultura como sempre fica por último. Quando se fala em Arte a maioria se lembra de pintura, teatro dança e às vezes somente alguns lembram que escultura também é arte. Sem contar que a maioria entende escultura como imagem de santo. Mas também pudera, pois a escultura foi a última das artes medievais a desenvolver-se a partir do Renascimento, quando se desligou da arquitetura tomando rumos diferentes.
Vendo a necessidade de conscientização do que é escultura e seu valor estético achamos por bem trabalhar a Proposta Pedagógica com esse tema. Pesquisando descobri que uma grande maioria de artistas pintores também são escultores, comprovando assim a importância da escultura em nossa vida, principalmente para aqueles que não vêem com os órgãos da visão (olhos), mas sim com o tato, com a sensibilidade, com a janela da alma.
Picasso certa vez disse que a escultura é o melhor comentário que um pintor pode fazer à sua pintura.
Uma vez que necessitamos de arte para todos, ficou decido elaborarmos nosso projeto de atividades dentro daquilo que vem de encontro com nossos anseios em sala de aula e/ou em projetos assistenciais.
Sugerimos uma aula teórica sobre escultura, e aulas práticas de criação livre de duas esculturas coletivas, utilizando materiais alternativos.
Combinei com Marly que iria buscar parceria no Centro Comunitário D. Margarida onde há espaço para as oficinas.
No dia 14 de Outubro estive conversando com a assistente social Maria Aparecida Rodrigues (Cidinha) sobre as possibilidades de datas e horários devido aos cursos que ali existem. Ela me deixou bastante otimista ficando marcado para falar com a Primeira dama só para confirmar pessoalmente.
Ainda no dia 18 na casa de Marly, sentamos e terminamos de decidir o que fazer. De início Marly havia sugerido criar uma escultura clássica (ânfora) bem grande e uma contemporânea (puxa saco Bob Esponja), ambas coletivamente.
Comentando com ela sobre a importância do professor incentivar seus alunos a criar seus trabalhos achamos por bem mudar a proposta.
Concluímos que poderíamos levar os participantes a criarem sua própria escultura individual e um grupo de três pessoas faria a ânfora ou o Bob Esponja e ela sugeriu ainda uma aula de escultura culinária contemporânea, “frango a leitoa” para encerrar nosso projeto com chave de ouro, saboreando uma deliciosa obra de arte regada a vinho. 
Às 8h do dia 18 de Outubro falei com a Primeira dama Maria Zélia Teodoro Alves Silva.
Zélia como é chamada também é artista plástica e ficou entusiasmada com a proposta perguntando quem seria o público participante sugerindo a participação dos professores do PET, que são quatro e poderíamos estar convidando outros professores.
A decisão de ter a participação dos professores do PET foi de encontro com os meus objetivos. Logo de início tive vontade de elaborar essa proposta pedagógica para professores da rede pública estadual e municipal, pois trabalham com um grande público possibilitando assim o compartilhamento do aprendizado com maior número de pessoas.
Tendo dificuldades para encontrar o artista para o referencial, no presencial a professora Reijane me indicou o escultor australiano hiper realista Ron Mueck. Analisando sobre ele e suas obras até que poderia ser, pois algumas obras de Marly têm características semelhantes, mas longe de ser hiper realistas.
Pesquisando em livros e na internet encontrei como referencial teórico, Cheff Mueller e a artista Plástica Débora de Paula concluindo assim o projeto.
Sendo assim foi tomado como referencial teórico a artista Plástica Débora de Paula que faz um grandioso trabalho com crianças em Batatais São Paulo. Trabalha esculturas com papel machê e uma série de materiais recicláveis assim como Marly. Também como referencial para a oficina de arte culinária, o Cheff Mueller que dá seqüência uma cultura milenar chinesa, de esculpir em frutas e legumes. Reconhecido a nível nacional e internacional, transformando “o ato da alimentação no mais sofisticado dos prazeres.”
Após a elaboração do projeto foi feito as correções no Plano de ação e em seguida sua execução.



Plano de Ação

1º Dia
27 de Setembro de 2010 às 7h
Conversa informal por telefone com Marly Rios para confirmação de sua parceria para execução da oficina pedagógica e marcação de data e horário para discutir o que fazer.

2º Dia
28 de Setembro de 2010 das 13h às 13h30min
Visita a ABCAD (Assistência Beneficente Cultural das Assembléias de Deus) em busca de possível parceria.

3º Dia
28 de Setembro de 2010 das 18h às 21h
Observação do ensaio de Miss no Teatro de Arena com a professora e escultora Marly. Diálogo com a escultora sobre as possíveis atividades a serem desenvolvida na proposta pedagógica bem como materiais necessários, parcerias, objetivos, estratégias, para quem e onde.

4º Dia
14 de Outubro de 2010 das 8h às 8h30min.
Busca de parceria no Centro Comunitário D. Margarida e marcação de horário para falar com a Primeira Dama.
Das 9h às 10h30min. Esboço da Proposta Pedagógica juntamente com a escultora.

5º Dia
17 de Outubro de 2010 das 8h às 10h30min. Confirmação de parceria e entrega da carta de Apresentação de Estágio III para a Primeira Dama e diálogo sobre O Projeto de Proposta Pedagógica;
Conclusão dos últimos detalhes da Proposta Pedagógica juntamente com a escultora.
6º Dia
22 e 23/10/2010  Avaliação e negociação da Proposta pela professora Reijane e professor Rafael no Encontro Presencial.
7º Dia
31 de Outubro das 18h às 20h30min.  Encontro em minha casa com a escultora para discutir as mudanças da proposta e definir a data e horário de execução.
8º Dia
04 de Novembro das 9h às 10h30min. Conversa com a secretária da Primeira dama e com a coordenadora do PET para maiores esclarecimentos e definição da data e horário da execução do projeto; requisição da cozinha com a servidora Conceição e de Data Show com o funcionário Pedro Jr. Na Prefeitura SECON.

9º Dia
05 de Novembro. Confirmação por telefone com Marly, data, horário e marcação do dia para compra dos ingredientes usados na preparação da escultura Arte culinária.

10º Dia
08 de Novembro. Das 8h às 11h compra dos ingredientes e organização do material utilizado na execução do projeto. Das 15h ás 17h montagem do aparelho, data show e transporte dos materiais para o local de execução.

11º Dia
09 de Novembro: Execução da Proposta. Sendo das 8h às 10h parte teórica e das 13h às 17h30min a prática e encerramento com a degustação.

12º Dia
Avaliação


Execução do Projeto

 No dia 09 de Novembro de 2010 das 8h às 18h30min, no Centro Comunitário D. Margarida, foi realizado a execução do Projeto de Intervenção Artístico-Pedagógica como exigência da disciplina de Estágio Supervisionado III, do Curso de Licenciatura em Artes Visuais na Modalidade EAD/UFG/FAV, coordenado por mim Sebastiana de Oliveira Souza e participação especial da escultora Marli Gonçalves Rios.
No encerramento contamos com a presença das professoras do PET, uma professora de Arte da rede pública estadual, uma da rede particular, uma representante da ABCAD, Maria Conceição T. Afonso, coordenadora da cozinha do Centro Comunitário, o senhor prefeito municipal Gilmar Alves,  a primeira dama Maria Zélia Teodoro Alves, Secretária da Cultura Maria das Graças, escritora e professora Maria da Felicidade Alves Urzedo, meu esposo Iron Cabral de Souza, minha filha Cristiane de Oliveira Cabral, Marcos Vilander M. O. Silva, João Elias Cândido Ferreira fotógrafo e repórter da Mídia e Rádio Alvorada, funcionários do Centro Comunitário e outras pessoas da comunidade.
Para nós quirinopolitanos essa intervenção é de grande valor, pois mais uma vez, Quirinópolis cidade do sudoeste goiano, é congratulada com uma magnífica criação de um prato típico da culinária brasileira goiana, nomeado de “Frango a Leitoa”.
Com o propósito de alcançar os objetivos propostos, iniciamos com uma dinâmica de entrosamento, onde cada um falou de si, apesar de no início estarem um pouco inibidas.
Foi feita a introdução do projeto por mim estagiária, falando sobre o curso de Artes Visuais, como é o estágio à distância fazendo um breve comentário sobre as ações realizadas desde o percurso “estranhamento do familiar”, a escolha da porta de entrada e lógico, o que vem a ser essa porta. Também sobre a etnografia, a busca de parceria, elaboração da proposta e suas mudanças e como seria o andamento do dia.
Em seguida foi feito a apresentação da escultora Marly Rios, passando os vídeos que foram feitos por mim no curso, “Caminhos por onde andei Leitura Inspirada e Trailer Porta de entrada”. Como o aparelho de Data-show estava com problemas e éramos poucas pessoas no total de quinze, foi feito uso do notebook com caixinhas de som.
Após ver os vídeos, passamos à observação e análise dos materiais utilizados como: cartazes, esculturas e o painel “Cidade Educadora” feito na disciplina de Psicologia da Arte, onde mostra imagens do percurso “Tornar o familiar estranho”.
 Nesse momento lembrei-me das orientações da professora Reijane e do professor Rafael no encontro presencial, quando escolheram a escultura “Frango a Leitoa”, dizendo que é uma coisa nova e que as outras esculturas de material reciclado seriam bastante interessantes, porém todos de certa forma já viram.
 Realmente o povo quer novidades. Gostaram das técnicas de modelar argila e esculpir no gesso, mas o que mais lhes chamou a atenção foi o quadro com as imagens da cidade e a técnica de como foi feito e principalmente todo o contexto histórico ali registrado.
Terminando a parte teórica, passamos à prática. Na cozinha do centro comunitário juntamente com Marly, Conceição, coordenadora da cozinha e os demais participantes, foi dado início a primeira parte da elaboração da escultura comestível. Marly explicou como escolher o frango ideal e em seguida começou a desossa com o olhar atento de todos. Foram desossados três frangos ao mesmo tempo, sendo que cada um colocou a mão na massa para aprender.
Desossar um frango inteiro sem estragar não é fácil, mas tudo deu certo. Em seguida passamos às seguintes etapas: cozinhar os ossos, separar a carne do caldo, picar o bacon, cheiro verde, fazer o tempero, temperar o frango, fazer a farofa, rechear, costurar, dar forma escultórica e colocar no forno. Todos estavam envolvidos num constante entusiasmo em estar ali desenvolvendo tamanha obra de arte. Foi muito gostoso, apesar de ter-me esquecido de levar as luvas e toucas.
Enquanto o prato estava no forno, tomamos café com pão de queijo.
Durante todo processo de elaboração do prato, a cada momento uma surpresa, nenhum dos participantes inclusive eu, jamais havia imaginado como transformar um frango em leitoa. Quanto à parte de desossa duas meninas tinham experiência. Mas do resto nada mais.
Realmente a arte de criar é surpreendente. Com os olhares curiosos dos participantes e outros, aquela coisa disforme foi se transformando e tornando uma verdadeira obra de arte, pena que a digital não registra o cheiro e o sabor. Mas só se ouvia, “Nossa que coisa estranha! Que interessante! Parece uma roupa! Credo parece um sapo! Nossa incrível! Olhe parece um leitão! Que gracinha! Que cheiro! Podemos ver também? Não acreditei, vim pra ver.
E foi chegando gente, funcionários do centro comunitário e pessoas que viram falar do que estava acontecendo. Não acreditando foram verificar se realmente o frango se transformava e outros foram convidados pelo cheiro.
A primeira dama Zélia Teodoro, ajudou as meninas forrar as mesas e foi levada pelo cheiro até a cozinha no momento em que o apetitoso prato foi retirado do forno, perguntando quem havia feito aquele prato tão exótico.  Respondi a ela dizendo: Isso é obra da Marli, nossa artista escultora! Ela é dez, não é mesmo? Uma salva de palmas a ela! E todos ali na cozinha aplaudiram gritando o nome de Marli.  Zélia saiu correndo dizendo que ia buscar sua máquina fotográfica para tirar uma foto. Em seguida retornou e fez várias fotos.
Após a mesa posta, dei início cumprimentando e agradecendo a presença de todos. Fiz um breve comentário sobre a Licenciatura de Artes Visuais à Distância, sobre o projeto interdisciplinar de estágio desde a caminhada do percurso, tornar o familiar estranho até aquele momento da realização da proposta.
Para justificar a escolha da porta de entrada, comecei parabenizando o prefeito e sua esposa pelo belo trabalho administrativo que vem desempenhando em nossa cidade enfatizando o trabalho feito pela assistência social no Centro Comunitário. Explicando que ao perfazer o percurso demarcado no mapa, percebi o quanto nossa cidade nos oferece “Ns” portas dignas de serem analisadas e que na maioria das vezes passamos despercebidos sem enxergar a grande riqueza cultural que o município nos oferece.
Em seguida coloquei meus objetivos de despertar na comunidade o interesse pela arte escultórica, dando valor estético às obras de artistas locais, respeitar e valorizar o artista bem como seu trabalho. Justificando ainda as minhas dificuldades de trabalhar escultura na escola. Sendo assim resolvi tomar como “Porta de entrada” a escultora Marli Rios, pelo seu trabalho tão significativo e infelizmente não reconhecido pela maioria das pessoas. 
Para desfazer o estereótipo de escultura, com base na citação de Ostrower, falei sobre o homem e sua criatividade. Acrescentando sobre a infinidade de materiais e técnicas existentes na produção da arte escultórica.
Dei uma de doida, mostrando a artista dizendo: ___ Marli, aquela mulher esquisita e louca é tão doida a ponto de transformar um frango em leitoa e acima de tudo com sabor de leitoa. Veja que maravilha! E mostrei a mesa, dizendo:___ Marli, a palavra é sua! Foi um alvoroço de risadas e aplausos acompanhados pela fala da escritora Maria da Felicidade dizendo que Marli era tão louca, que já estava querendo transformar nosso livro em filme. (O referido livro será lançado em Janeiro de 2011 intitulado, “Quirinópolis - Mãos e Olhares Diferentes” da escritora Maria da Felicidade Alves Urzedo).
Marli foi breve, agradecendo a mim pelo convite e aos demais pelo apoio recebido, falando sobre suas experiências de criar outras formas e aprimoramento dos sabores e o que ela mais gostou foi da forma de leitoa. Dizendo também que até então havia sido sucesso entre sua família e que somente agora com o meu incentivo e apoio, seu trabalho, ou melhor, sua criação estava sendo apresentada às autoridades, mídia, educadores, funcionários públicos e outros seguimentos da sociedade.
Passei a palavra ao senhor Prefeito e sua esposa, os quais nos parabenizaram discursando sobre a importância da participação do cidadão no desenvolvimento de uma sociedade bem como a produção, divulgação e preservação da cultura de um povo. Reconheceram a importância do trabalho da escultora não só no que diz respeito à escultura, mas também quanto ao seu trabalho voluntário como diretora de produção, coordenadora do Projeto Miss Quirinópolis e rainha do rodeio. E também enviando candidatos em projeção ao mundo da moda, participando de concursos pelo Brasil a fora. É uma pessoa destemida, positiva, vive em busca de seus objetivos e dos outros que necessitam de ajuda.
Prestei homenagem de agradecimentos a Marli, entregando-lhe uma simples lembrança, à Primeira dama um vaso de flores e passamos ao deguste.
Zélia abriu o vinho e Marli, cortou o “Frango a Leitoa” e cada um dirigiu até a mesa e serviu. Fiquei atenta observando as reações do público que foram as melhores possíveis.
Muitos, com o prato na mão foram comendo e olhando os trabalhos expostos, indagando sobre cada um.
No final Elias Cândido fez entrevista comigo, Marli, o prefeito e a primeira dama. A entrevista foi lançada ao ar no dia seguinte na Rádio Alvorada. No momento estava eu e Marli elaborando a documentação para registro civil da obra e infelizmente não ouvi as entrevistas, mas irei pegar cópias para guardar.
A reação do público presente, mídia e outros foram bastante significativos, pois no dia seguinte só se ouvia comentários sobre o tal projeto realizado com muito sucesso, o curioso e apetitoso prato “Frango a Leitoa”. Notícias no rádio no site cidade e jornal.
Sendo assim posso afirmar com todas as letras que meus objetivos foram alcançados noventa por cento. Pois com a realização desse projeto, subimos o primeiro degrau de uma enorme escada, onde podemos continuar passo a passo rumo ao topo da estética escultórica; onde cidadãos conscientes possam contribuir respeitar e desfrutar das riquezas culturais de sua cidade.
Mas nem tudo é um mar de rosas, porém o plano de ação não é estático, podemos fazer mudanças sempre que necessário. No percurso estranhamento do familiar não foi possível cumprir todas as visitas previstas, exemplo entrevista com a escritora Maria da Felicidade, Zeila Decorações e Lá no Paulo Pizzaria.
 Inicialmente as atividades do projeto seria a construção coletiva de uma ânfora, um Bob esponja, em segundo momento além dessas teria uma escultura individual (criatividade) com material reciclável e o Frango a Leitoa para o encerramento.  Isso com duração de uma semana.
Conversando com os professores no presencial houve alterações radicais, chegando à conclusão de que bastaria apenas a escultura comestível, por ser inédito, diferente, bastante contemporâneo elaborando apenas em um dia.
Quanto à execução foi ótimo, tirando o contratempo da falta do aparelho data show, onde foram improvisados caixinhas de som e a falta de luvas e toucas na cozinha. 
Quanto às imagens, foram feitas por mim como ponto positivo e por outro lado negativo, pois se houvesse uma pessoa só para isso, poderia ter capitado  mais imagens talvez com melhor qualidade.
Uma conquista muito valiosa foi o reconhecimento da escultora Marli Rios e seu trabalho. Após a realização do projeto, a Câmara de vereadores congratulou Marly Rios com Moção honrosa pelo seu trabalho e titulo de cidadã quirinopolitana.
Outro ponto relevante é que o feito de Marly está registrado em cartório e incluso em um artigo do livro, “Quirinópolis - Mãos e Olhares Diferentes”. Veja documento de registro e reportagem da Mídia em anexo.
          Analisando tudo, posso afirmar que essa experiência foi e está sendo muito gratificante para mim, pois me permitiu olhar de maneira diferente descobrindo a essência das coisas, dos acontecimentos. Aprendi a ver o outro como ele é, e respeitar sua maneira de ser. Chegar de mansinho para aprender com o outro, inserir o outro em mim e eu no outro, para que haja uma correlação de entendimento e conseqüentemente um maior aprendizado.
Com isso sinto-me estimulada aos estudos, mais segura e otimista para fazer minha parte ajudando a transformar e re-significar o que estiver ao meu alcance para que tenhamos uma Educação Cultural diferenciada.
Finalizo minhas reflexões com as palavras de Marli, “Para mim o mundo não têm sentido sem a Arte, pois a reconstrução social de um povo depende da cultura de todos”.


Referências Bibliográficas

CHAUD, Eliane e NUNES, Keith Richard.  Atelier Tridimensional. IN LICENCIATURA EM ARTES: Módulo 2 (parte 2) e módulo 3 / Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Artes Visuais. Goiânia: Editora da CEGRAF / UFG, CIAR, 2008.
GUIMARÃES, Leda Maria da Barros e OLIVEIRA, Ronaldo Alexandre de. Estágio Supervisionado 3. JORDÃO, Paulo Veiga. Ateliê de Poéticas Visuais Contemporâneas.  MOREIRA, Terezinha Maria Losada. Psicologia da Arte. In LICENCIATURA EM ARTES VISUAIS: Módulo 7/Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Artes Visuais.. Goiânia: Editora da UFG, FUNAPE, CIAR, 2010.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação, 23. Ed.- Petrópolis, Vozes, 2008.
CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:
CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:
CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:
Jornal Notícias Daqui Novembro de 2010, p.04 e 0


Anexos

Notícias de Quirinópolis
-12-11-10-

Projeto “Cidade Educadora” destaca arte de quirinopolinos

           “Frango a leitoa”. A novidade foi apresentada no último dia 9, no Centro Comunitário Dona Margarida, durante estágio de Sebastiana de Oliveira Souza, a Tianinha. O trabalho faz parte do Projeto “Cidade Educadora”, desenvolvido pelo curso de Artes Visuais da UFG/ FAV – Faculdade de Artes Visuais -, do qual Tianinha é aluna. No evento de terça-feira, 9, Tianinha mostrou também técnicas de modelagem com gesso e com argila.
           Desde criança Tianinha regava o sonho de cursar Artes Visuais, e agora depois que deixou a educação, onde atuou por 30 anos, resolveu cursar Artes Visuais, na modalidade à distância, juntamente com outras três alunas de Quirinópolis: Genercy Maria da Costa, Sônia Aparecida e Suzimary Martins Corrêa. Tianinha explica que o tema “escultura” foi escolhido para valorizar os escultores de Quirinópolis, citando o exemplo do radialista Mauro Silva, que já pinta há algum tempo, mas que em apenas três meses no ramo de escultura, vem produzindo obras lindíssimas. Para desenvolver seu trabalho, Tianinha precisava encontrar uma porta de entrada. Marli Rios foi a escolhida, e seus trabalhos expostos ontem no Centro Comunitário Dona Margarida, com destaque para o “frango a leitoa”. Durante todo o dia de ontem, 9, Marli ensinou a fazer o prato que chamou a atenção de todos que passaram pelo local. O frango foi desossado e ganhou a idêntica aparência de uma pequena leitoa. Bastava olhar para o prato já pronto e enxergar uma leitoa.
         Tianinha disse que aprendeu muito com o projeto que desenvolveu. Durante o dia, ela explicou sobre as técnicas que utiliza em seus trabalhos artísticos. “Às vezes, a gente olha e não enxerga tantas riquezas que temos. Passei a enxergar o valor de tudo e de todas as pessoas de Quirinópolis”, disse. Tianinha concluiu dizendo que Quirinópolis está de parabéns com dona Petronilha pela “Chica Doida”, e com Marli Rios com o “Frango a leitoa”.
         A Secretária de Promoção e Assistência Social, I dama Zélia Teodoro, disse que o Centro Comunitário Dona Margarida sentiu-se honrado em receber o trabalho de Tianinha, especialmente porque no Centro Comunitário também são produzidos trabalhos artesanais. “O trabalho foi tão interessante, que decidimos colocar as instrutoras do PETI para participar também. Foi muito surpreendente, e com certeza, a Tianinha terá nota máxima com seu trabalho”, completou a I dama. Segundo ela, a Secretaria de Promoção e Assistência Social sempre será parceira na realização de projetos que contribuam com o crescimento da comunidade.
         A artista plástica Marli Rios agradeceu por ter sido escolhida por Tianinha para participar do projeto, ressaltando que no município existem outros grandes talentos. Indagada quanto ao “Frango a leitoa”, Marli conta que o prato surgiu há 10 anos. Desde criança ela trabalha com formas. A idéia é simples e o resultado surpreendente. Tira-se todo o osso do frango e transforma a ave em um idêntico porco. Marli conta que é possível fazer também coelho, jacaré e outros animais. Depois de muito relutar, ela admite que pretende patentear o prato. O prefeito Gilmar Alves também esteve ontem no Centro Comunitário Dona Margarida, a fim de saborear o “Frango a leitoa”, e se disse surpreso com o resultado.




sábado, 20 de novembro de 2010

Projeto de Intervenção Artístico-Pedagógica

Universidade Federal de Goiás
Faculdade de Artes Visuais
Licenciatura em Artes Visuais










Projeto de Intervenção Artístico-Pedagógica













São Simão – 2010

Sebastiana de Oliveira Souza







Porta de entrada
Marly Rios
Escultura









Projeto de Intervenção Pedagógica apresentado à professora Reijane Cunha, como exigência da disciplina de Estágio Supervisionado III do curso de Licenciatura em Artes Visuais UFG/ FAV.






São Simão – 2010
                                

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
Faculdade de Artes Visuais
Licenciatura em Artes Visuais

Disciplina: Estágio Supervisionado III
Professor Orientador: Reijane Cunha
PÓLO: São Simão
Acadêmica: Sebastiana de Oliveira Souza


Proposta de Intervenção Artístico-Pedagógica

I- Objetivo Geral
Despertar na comunidade quirinopolina o interesse pela arte escultórica dando valor estético às obras de artistas locais.

II- Objetivos Específicos
ü  Conhecer a escultora Marly Rios e seu trabalho;
ü  Compreender o que é escultura;
ü  Respeitar e valorizar o trabalho de escultores locais;
ü  Mostrar que arte não se acontece somente entre quatro paredes e como é “gostoso” trabalhar arte como relato aberto;
ü  Usando de criatividade, preparar coletivamente uma escultura Arte culinária “Frango a Leitoa”.

III- Justificativa

           Com a preocupação voltada para a falta de conhecimento sobre escultura em nossa cidade e valoração dos escultores locais bem como suas obras, propôs-se o desenvolvimento de um projeto de intervenção pedagógica envolvendo a minha porta de entrada, professores do PET e professores de artes de escolas públicas possibilitando-lhes ampliar conhecimentos vinculados à sua cultura.
A Educação deixa muito a desejar, preocupa por demais com a pintura em tela e deixa de lado a “arte de criar formas significativas em três dimensões”. Esse é um dos fatores observado ao longo de minha careira profissional como professora na rede pública e sempre com o desejo de trabalhar esse tema, mas não tinha conhecimento para tal.
Durante o processo etnográfico “tornar o familiar estranho” foi encontrado várias portas dignas de entrada, mas o desejo falou mais alto, indo à busca de alguém que pudesse trabalhar o tema escultura. Com o intuito de despertar nas pessoas o interesse de entender o que é realmente uma escultura; mostrar que criatividade é de suma importância em nossa vida, e em tudo que fazemos e não somente na arte; mostrar as possibilidades de trabalhar escultura com materiais diversos, bem como respeitar e valorizar o trabalho de artistas local independente se produz belas artes ou não.


O homem elabora seu potencial criador através do trabalho. É uma experiência vital. Nela o homem encontra sua humanidade ao realizar tarefas essenciais à vida humana e essencialmente humanas. A criação se desdobra no trabalho porquanto este traz em si a necessidade que gera as possíveis soluções criativas. (Ostrower, 2008, p.31)


 Sendo que o homem realiza seu potencial criador através do trabalho e que a criatividade “é o cerne da experiência vital” propõe-se nesta proposta pedagógica uma experiência estética criativa unindo o útil ao agradável, uma escultura comestível que possa saciar a fome sem contar que é um bom negócio para quem deseja ampliar sua renda familiar. Pois se tratando de uma “sociedade de consumo” todo aprendizado é bem vindo.
O homem na contemporaneidade cada vez mais se sente obrigado a lançar mão dos poderes da arte, buscando “maiores conhecimentos e um aprofundamento de trabalho”. De acordo com Ostrower, “a criatividade é a essencialidade do homem no homem.” Ao criar trabalhando, cria em todos os âmbitos do seu fazer dando sentido a sua vida.
                                                         A arte é conseguir passar aquilo que se sente, aquilo que se tem como objetivo através de uma expressão, seja ela em forma de música, dança, ou da maneira como sei e aprendo diariamente, cozinhando. Não há melhor exemplo de arte do que a gastronomia, eu cozinho e passo para as pessoas que degustam minhas receitas as emoções de quando eu as cozinhava ou criava, elas sentem no aroma, no gosto, na apresentação da receita que preparei, e isto pra mim é arte, sentir o que o autor da obra estava sentindo ou com vontade de mostrar, cozinhando com alegria, amor, profissionalismo e com suas vontades e sua personalidade, a receita é certamente valorizada por quem a degusta.
Como você pode ver a arte transmite emoção, sentimento, vontade, desejo, a arte desperta todos os nossos sentidos, e isto não poderia ser diferente com "A Arte Da Culinária"! CHEFF MUELLER

Relacionando arte com o trabalho a escultora Marly Rios mostrará passo a passo como transformar a matéria “frango” em um fazer concreto, obra escultórica “leitoa”, resultado de hipóteses, fruto da imaginação criativa que não é simplesmente uma materialidade física, mas acima da existência da matéria, sobressai um experimentar imagético possibilitando assim a concretização humana.
Foi tomado como referencial teórico a artista Plástica Débora de Paula que faz um grandioso trabalho com crianças em Batatais São Paulo. Trabalha esculturas com papel machê e uma série de materiais recicláveis assim como Marly. Também como referencial para a oficina de arte culinária, o Cheff Mueller que dá seqüência uma cultura milenar chinesa, de esculpir em frutas e legumes. Reconhecido a nível nacional e internacional, transformando “o ato da alimentação no mais sofisticado dos prazeres.”

Plano de Ação

1º Dia
27 de Setembro de 2010 às 7h
Conversa informal por telefone com Marly Rios para confirmação de sua parceria para execução da oficina pedagógica e marcação de data e horário para discutir o que fazer.

2º Dia
28 de Setembro de 2010 das 13h às 13h30min
Visita a ABCAD (Assistência Beneficente Cultural das Assembléias de Deus) em busca de possível parceria.

3º Dia
28 de Setembro de 2010 das 18h às 21h
Observação do ensaio de Miss no Teatro de Arena com a professora e escultora Marly. Diálogo com a escultora sobre as possíveis atividades a serem desenvolvida na proposta pedagógica bem como materiais necessários, parcerias, objetivos, estratégias, para quem e onde.

4º Dia
14 de Outubro de 2010 das 8h às 8h30min.
Busca de parceria no Centro Comunitário D. Margarida e marcação de horário para falar com a Primeira Dama.
Das 9h às 10h30min. Esboço da Proposta Pedagógica juntamente com a escultora.

5º Dia
17 de Outubro de 2010 das 8h às 10h30min.
§  Confirmação de parceria e entrega da carta de Apresentação de Estágio III para a Primeira Dama e diálogo sobre O Projeto de Proposta Pedagógica;
§  Conclusão dos últimos detalhes da Proposta Pedagógica juntamente com a escultura.

6º Dia
22 e 23/10/2010
§    Avaliação e negociação da Proposta pela professora Reijane e professor Rafael no Encontro Presencial.

7º Dia
§  31 de Outubro das 18h às 20h30min.  Encontro em minha casa com a escultora para discutir as mudanças da proposta e definir a data e horário de execução.

8º Dia
§  04 de Novembro das 9h às 10h30min. Conversa com a secretária da Primeira dama e com a coordenadora do PET para maiores esclarecimentos e definição da data e horário da execução do projeto; requisição da cozinha com a servidora Conceição e de Data Show com o funcionário Pedro Jr. Na Prefeitura SECON.

9º Dia
§  05 de Novembro. Confirmação por telefone com Marly, data, horário e marcação do dia para compra dos ingredientes usados na preparação da escultura Arte culinária.

10º Dia
§  08 de Novembro. Das 8h às 11h compra dos ingredientes e organização do material utilizado na execução do projeto. Das 15h ás 17h montagem do aparelho, data show e transporte dos materiais para o local de execução.

11º Dia
§  09 de Novembro: Execução da Proposta. Sendo das 8h às 10h parte teórica e das 13h às 17h30min a prática e encerramento com a degustação.

12º Dia
§  Avaliação

Espaço de Execução: Centro Comunitário D. Margarida
Público Alvo: Professores do PET, professores de arte de escolas públicas e um representante da ABCAD e outros seguimentos da comunidade, no total de 15 pessoas.
Tema: Cidade Educadora
Título: Porta de Entrada
Conteúdo: Escultura
Carga Horária total do projeto: 30h  
Tempo de Execução: 6h30min.

V- Metodologia
  No primeiro momento será feito uma dinâmica de entrosamento. Entrega-se uma bexiga e um pedacinho de papel para todos e pede que escrevam seu nome no papel, dobra e coloca dentro da bexiga, enchendo-a. Em seguida começa a brincar jogando a bexiga para o alto e vai trocando, misturando. Parar a brincadeira e o dirigente que será eu, aluna estagiária se apresenta dizendo o nome, o que faz e estoura a bexiga, pega o papelzinho, abre e fala o nome do próximo a apresentar. E assim até terminar.
Após a dinâmica, apresentar a artista escultora Marly Rios passando os vídeos: Caminhos por onde andei; O trailer Cidade Educadora com o poema Leitura Inspirada.
Em um cantinho da sala haverá cartaz com conceitos de escultura e o quadro do Processo Criativo Cidade Educadora e algumas esculturas de Marly e outras feitas por mim no curso de Artes Visuais.
Fazer uma breve explanação sobre o vídeo, e o trailler, mostrando o quanto é “gostoso” trabalhar arte como relato aberto. Comentar sobre escultura e a infinidade de materiais que podem ser trabalhados usando de criatividade bem como trabalhar de maneira interdisciplinar.
Passar a palavra para a escultora Marly, a qual irá falar um pouco sobre si e seu trabalho e também explicar sobre a prática, transformar um frango em uma bela e deliciosa escultura.
A parte teórica acontecerá de manhã e a prática à tarde, com encerramento às 17h.
  Cientificamente o que dá forma aos corpos são ossos. Retirando-os o artista dá-lhe outras formas diferentes de acordo com sua criatividade.
O frango sem ossos é transformado em um minúsculo porco, nomeado aqui de “Frango a Leitoa”.

Procedimentos

*      Comprar o frango com formato anatômico alongado;
*      Descongelar o frango;
*      Retirar os miúdos e gordura;
*      Pegar a faca ou tesoura e fazer um corte em formato de “v” na ponta da calda (sôbre) do frango;
*      Retirar os ossos e deixar a carne;
*      Colocar os ossos na panela de pressão por vinte minutos;
*      Temperar o frango a gosto;
*      Preparar a farofa e rechear o frango dando-lhe a forma desejada;
*      Para fazer as orelhas e o rabinho da leitoa, usa pele de porco que vem no bacon;
*      Os olhos de pimenta verde;
*      Coloca ao forno para assar;
*      Decorar e degustar.

Rendimento: Um “frango a leitoa” = 10 porções

Enquanto a escultura estiver no forno, será feito um diálogo interativo entre os participantes, escultora e aluna estagiária sobre as obras expostas, bem como troca de experiências e sugestões de trabalho com esculturas.
Em um cartaz estará exposto um cartaz com alguns sites que mostram como trabalhar esculturas com papel machê e materiais diversos.
Encerrar com chave de ouro saboreando a escultura “Frango a Leitoa” regada a vinho.
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VI- Recursos Materiais e didáticos
·         Frango;                                       
·         Bacon;
·         Farofa;
·         Cheiro verde;
·         Alho;
·         Sal;
·         Extrato de tomate;
·         Alface;
·         Tomate;
·         Fogão;
·         Fôrno;
·         Fôrma;
·         Linha;
·         Agulha;
·         Panela de pressão;
·         Faca;
·         Tesoura;
·         Papel alumínio;
·         Aparelho data-show;
·         Notebook;
·         Vídeo;
·         Cartaz.

VII- Modos de Integração entre teoria e prática

A teoria e a prática resultante da constante busca de conhecimento através dos pressupostos teóricos inseridos nos módulos do Curso de Artes Visuais, a prática nas oficinas desenvolvidas no decorrer de nosso curso (Ateliê de Linguagem Bidimensional: Escultura-modelagem em argila e gesso), além de pesquisas na internet, livros, entrevistas, visitas e observações na viagem a ouro preto onde tivemos verdadeiras aulas sobre escultura.

VIII- Avaliação

A avaliação será feita através do processo contínuo de observação no desenvolvimento das atividades propostas, bem como ao término. No momento da degustação será feito análise observando as reações das pessoas quanto à estética, emoções, sentimentos, vontade, desejos, verificando se os objetivos propostos foram alcançados.









XIX- Referência Bibliográfica

CHAUD, Eliane e NUNES, Keith Richard.  Atelier Tridimensional. IN LICENCIATURA EM ARTES: Módulo 2 (parte 2) e módulo 3 / Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Artes Visuais. Goiânia: Editora da CEGRAF / UFG, CIAR, 2008.
GUIMARÃES, Leda Maria da Barros e OLIVEIRA, Ronaldo Alexandre de. Estágio Supervisionado 3. JORDÃO, Paulo Veiga. Ateliê de Poéticas Visuais Contemporâneas.  MOREIRA, Terezinha Maria Losada. Psicologia da Arte. In LICENCIATURA EM ARTES VISUAIS: Módulo 7/Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Artes Visuais.. Goiânia: Editora da UFG, FUNAPE, CIAR, 2010.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação, 23. Ed.- Petrópolis, Vozes, 2008.

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:

CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: